Título original: Śaṅkara – Prolégomènes au Vedānta
Subtítulo: Introdução ao Brahmasūtrabhāṣya, tradicionalmente designada Adhyāsabhāṣya
Autor: Śaṅkara
Traduzido por: Louis Renou
Ano da primeira edição: 1951
Editora da primeira edição: Imprimerie Nationale
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Sânscrito/Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Prolégomènes au Vedānta apresenta a abertura do comentário de Śaṅkara aos Brahmasūtras, texto fundamental do Advaita Vedānta.
O problema central é adhyāsa, a superimposição ou atribuição errónea de propriedades de uma realidade a outra. Śaṅkara procura explicar como o indivíduo identifica incorretamente o Si mesmo, ātman, com o corpo, os sentidos, a mente e as experiências transitórias.
Essa confusão constitui a base da ignorância, avidyā, e explica por que o indivíduo se percebe como sujeito limitado, separado e condicionado.
A libertação depende, portanto, do conhecimento correto da identidade entre ātman e brahman, eliminando a superimposição que sustenta a experiência de dualidade. A edição francesa é explicitamente apresentada como tradução do texto fundamental do Advaita Vedānta.
A importância deste texto é enorme para a história da filosofia indiana, porque o Adhyāsabhāṣya funciona como uma espécie de introdução metodológica ao sistema de Śaṅkara.
Antes de comentar propriamente os Brahmasūtras, Śaṅkara explica por que razão o ser humano necessita de conhecimento libertador. O problema fundamental não é simplesmente moral ou psicológico, mas epistemológico: confundimos aquilo que somos com aquilo que não somos.
A distinção entre consciência e objetos da consciência torna-se assim central para a filosofia Advaita.
A tradução de Louis Renou tornou este texto acessível ao público francófono numa época em que poucas fontes fundamentais do Vedānta estavam disponíveis em tradução direta do sânscrito.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é elevado porque permite compreender um dos grandes sistemas filosóficos indianos com os quais as tradições yóguicas dialogaram ao longo da história. A análise de adhyāsa ajuda a compreender como ignorância, identificação, consciência e libertação são conceptualizadas no Advaita Vedānta, oferecendo um importante termo de comparação com o Yoga de Patañjali e com tradições tântricas não duais. Embora o texto não apresente técnicas de āsana ou prāṇāyāma, é particularmente relevante para estudar jñāna, ātman, brahman, avidyā, mokṣa e a transformação do conhecimento como via de libertação. Também ajuda a distinguir a não dualidade vedântica das conceções de libertação presentes no Sāṃkhya-Yoga e no Śaivismo da Caxemira.
O título Prolégomènes au Vedānta não corresponde ao título de uma obra sânscrita autónoma de Śaṅkara.
É uma designação editorial francesa para a introdução do Brahmasūtrabhāṣya. Em bibliografia contemporânea, esta passagem é frequentemente chamada Adhyāsabhāṣya, “comentário sobre a superimposição”.
Isto explica por que o livro pode parecer uma obra independente de Śaṅkara quando, na realidade, corresponde ao início do seu grande comentário aos Brahmasūtras.
A tradução de Renou teve várias vidas editoriais: 1951 pela Imprimerie Nationale, uma edição do IPEC em 1977 e nova publicação pela Almora em 2011.
Não se trata de uma monografia de Renou sobre Vedānta, mas de uma tradução filológica de uma secção do Brahmasūtrabhāṣya.
Também é importante evitar apresentar simplesmente o texto como “o Vedānta”, pois corresponde especificamente à tradição Advaita representada por Śaṅkara. Outras escolas vedânticas desenvolveram interpretações muito diferentes da relação entre ātman, brahman e mundo.
Francês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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