Título original: Sir John Woodroffe, Tantra and Bengal
Subtítulo: ‘An Indian Soul in a European Body?’
Autor: Kathleen Taylor
Ano da primeira edição: 2001
Editora da primeira edição: Curzon Press
Local da primeira edição: Richmond, Surrey, Reino Unido
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Sir John Woodroffe, Tantra and Bengal reconstrói a vida intelectual de Sir John Woodroffe e investiga a criação da identidade autoral Arthur Avalon, sob a qual foram publicadas algumas das obras mais influentes sobre Tantra no início do século XX.
Kathleen Taylor analisa a carreira de Woodroffe na Índia colonial, particularmente em Calcutá, e procura compreender como um juiz britânico se tornou um dos principais mediadores das tradições tântricas para o público ocidental. A autora examina não apenas os seus livros, mas também as relações que estabeleceu com estudiosos, pandits e praticantes bengalis e o ambiente intelectual no qual traduções como The Serpent Power, Principles of Tantra e The Great Liberationforam produzidas.
Um dos argumentos centrais da obra é que “Arthur Avalon” não deve ser entendido simplesmente como o pseudónimo de um investigador europeu trabalhando isoladamente. O projeto editorial associado ao nome resultou de uma rede complexa de colaboração entre Woodroffe e intelectuais indianos, particularmente no Bengala.
O livro é importante porque modifica significativamente a forma como podemos interpretar a obra de Arthur Avalon.
Durante muito tempo, Woodroffe foi apresentado sobretudo como o grande erudito britânico que teria “descoberto” ou tornado acessível o Tantra ao Ocidente. Taylor demonstra que esta narrativa é demasiado simples. A produção dos livros associados a Avalon dependeu de contactos, traduções, comentários e conhecimentos fornecidos por interlocutores e colaboradores indianos.
A obra permite, portanto, compreender a história dos primeiros Estudos Tântricos como um processo de produção intercultural de conhecimento, inserido simultaneamente no colonialismo britânico, na vida intelectual bengali e nos movimentos de valorização das tradições religiosas indianas.
O interesse para os Estudos do Yoga é muito elevado do ponto de vista historiográfico, sobretudo para compreender a receção moderna de Tantra, Kuṇḍalinī, cakra e corpo subtil.
As obras de Arthur Avalon tiveram enorme influência sobre a maneira como estes conceitos passaram a ser entendidos no Yoga moderno e nas espiritualidades ocidentais. Taylor permite compreender como essas interpretações foram produzidas, quem participou na sua elaboração e quais os contextos coloniais e intelectuais que condicionaram a apresentação do Tantra ao público anglófono.
É, por isso, uma excelente obra para ler em paralelo com The Serpent Power, Śakti and Śākta, The Garland of Letters e The Great Liberation: enquanto esses livros representam a produção de Woodroffe/Avalon, Taylor fornece a análise crítica da história por detrás dessa produção.
A estrutura do livro está dividida em duas grandes partes:
O subtítulo — “An Indian Soul in a European Body?” — remete para a própria imagem construída em torno de Woodroffe: um europeu que, aos olhos de determinados contemporâneos indianos, teria adquirido uma compreensão extraordinariamente profunda da cultura e espiritualidade indianas.
Taylor utiliza justamente essa imagem como problema histórico, perguntando até que ponto ela corresponde ao homem real e até que ponto resulta da construção da figura quase lendária de Arthur Avalon.
A obra foi originalmente publicada pela Curzon Press em 2001 e posteriormente integrada no catálogo da Routledge/RoutledgeCurzon, que continua a disponibilizá-la.
Taylor utiliza fontes biográficas, arquivos, correspondência, publicações de Woodroffe e documentação relativa aos seus colaboradores bengalis para reconstruir tanto a figura histórica de Sir John Woodroffe como a formação da persona “Arthur Avalon”. A investigação deriva da sua tese de doutoramento na SOAS, concluída em 1998, dedicada precisamente à colaboração entre Woodroffe e estudiosos bengalis do Tantra.
O livro é particularmente importante porque desloca a análise das obras de Avalon do conteúdo textual isolado para as condições históricas e sociais da sua produção, permitindo avaliar com maior rigor questões de autoria, colaboração, orientalismo e mediação cultural.
Inglês — idioma original
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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