Título original: Śivasūtra et Vimarśinī de Kṣemarājaa
Autor: Vasugupta, tradicionalmente associado ao Śivasūtra
Traduzido por: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/lilian-silburn/">Lilian Silburn</a>
Ano da primeira edição: 1980
Editora da primeira edição: Institut de Civilisation Indienne, Collège de France
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Sânscrito/Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Śivasūtra et Vimarśinī apresenta o Śivasūtra, um dos textos fundadores das tradições śaivas não dualistas da Caxemira, juntamente com o comentário de Kṣemarāja conhecido como Śivasūtravimarśinī.
O Śivasūtra é composto por aforismos concisos que tratam da natureza da consciência, da condição limitada do indivíduo, dos meios de libertação e do reconhecimento da identidade fundamental entre a consciência individual e Śiva. O comentário de Kṣemarāja desenvolve esses enunciados, explicando a terminologia filosófica e situando-os dentro da tradição não dual śaiva.
A obra organiza tradicionalmente os ensinamentos segundo diferentes modalidades de realização, associadas aos chamados upāyas ou meios de acesso à libertação, desde abordagens baseadas na consciência pura até métodos que recorrem mais diretamente ao pensamento, à respiração, ao mantra e à atividade psicofísica.
O Śivasūtra ocupa uma posição central na história do Śaivismo da Caxemira e é uma das fontes fundamentais para compreender a formação da tradição que posteriormente seria desenvolvida por autores como Somānanda, Utpaladeva, Abhinavagupta e Kṣemarāja.
A obra é particularmente importante porque apresenta uma conceção do Yoga em que libertação significa reconhecer a verdadeira natureza da consciência, e não simplesmente retirar-se do mundo ou separar definitivamente espírito e matéria.
O comentário de Kṣemarāja é decisivo para a receção posterior do texto, pois sistematiza muitos dos conceitos que passaram a caracterizar a exposição do Śaivismo não dual, incluindo a relação entre consciência, Śakti, limitação, graça e reconhecimento.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é muito elevado porque o Śivasūtra apresenta uma conceção de prática yóguica centrada no reconhecimento da consciência como fundamento da experiência e na superação das limitações que produzem a perceção de separação. O comentário de Kṣemarāja permite compreender como diferentes métodos, incluindo meditação, atenção, mantra, respiração e interiorização, podem ser integrados numa estrutura mais ampla de libertação. A obra é especialmente importante para estudar os upāyas, a relação entre Śiva e Śakti, os estados de consciência, a graça, o reconhecimento e as formas não dualistas de samādhi, oferecendo uma perspetiva de Yoga muito diferente dos modelos predominantemente posturais ou dualistas que se tornaram mais conhecidos na modernidade.
Segundo a tradição śaiva da Caxemira, Vasugupta teria recebido ou descoberto os Śivasūtras por inspiração divina, numa narrativa em que Śiva lhe revela os ensinamentos e indica onde os aforismos poderiam ser encontrados inscritos numa rocha. Independentemente do valor histórico literal desta narrativa, ela mostra o estatuto revelado atribuído ao texto dentro da tradição.
Kṣemarāja, discípulo de Abhinavagupta, compôs a Śivasūtravimarśinī vários séculos depois de Vasugupta, tornando-se um dos intérpretes mais importantes do texto.
A edição de Silburn é particularmente relevante porque integra a sua longa série de traduções dedicadas ao Śaivismo da Caxemira, juntamente com La Bhakti, La Mahārthamañjarī, Hymnes aux Kālī, Spandakārikā e La Kuṇḍalinī.
Convém ter alguma prudência com a ideia de que o Śivasūtra representa sozinho todo o Śaivismo da Caxemira. É uma fonte central, mas pertence a um conjunto mais amplo de tradições e textos, incluindo Spanda, Pratyabhijñā, Krama, Kaula e Trika, que nem sempre empregam exatamente os mesmos modelos.
Francês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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