Título original: Spandakārikā
Subtítulo: Stances sur la vibration de Vasugupta et leurs gloses
Autor: Atribuída a Vasugupta
Traduzido por: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/lilian-silburn/">Lilian Silburn</a>
Ano da primeira edição: 1990
Editora da primeira edição: Éditions E. de Boccard
Local da primeira edição: Paris, França
Idioma original: Sânscrito/Francês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Spandakārikā: Stances sur la vibration apresenta um dos textos fundamentais da tradição Spanda do Śaivismo não dual da Caxemira. O conceito central, spanda, significa literalmente algo próximo de “vibração”, “pulsação” ou “movimento”, mas no contexto filosófico da tradição designa o dinamismo intrínseco da consciência absoluta.
A realidade última não é concebida como princípio estático ou inerte, mas como consciência viva e dinâmica cuja potência se manifesta em todos os níveis da experiência. A multiplicidade do mundo não é, portanto, completamente separada da realidade absoluta, mas expressão dessa mesma pulsação consciente.
Silburn traduz as kārikās e acompanha-as de materiais provenientes de importantes comentadores śaivas, permitindo observar como o conceito de spanda foi interpretado e desenvolvido dentro da própria tradição. A inclusão do primeiro capítulo da Śivadṛṣṭi de Somānanda amplia ainda o enquadramento filosófico da obra.
A importância da Spandakārikā reside em apresentar uma das formulações fundamentais da conceção dinâmica da consciência no Śaivismo da Caxemira.
A doutrina de spanda procura explicar como uma realidade absoluta e não dual pode simultaneamente permanecer una e manifestar uma multiplicidade de experiências, pensamentos, perceções e formas. O movimento não é entendido como alteração física de Śiva, mas como potência inerente à própria consciência.
Esta perspetiva teve grande influência nas tradições posteriores do Śaivismo não dual e tornou-se um dos conceitos através dos quais se explicam experiência, percepção, energia, atenção e libertação. A escola Spanda constitui, juntamente com outras correntes como Pratyabhijñā, Krama e Trika, uma das vertentes fundamentais do pensamento śaiva da Caxemira.
O interesse desta obra para os Estudos do Yoga é muito elevado porque apresenta uma conceção de prática yóguica centrada no reconhecimento do dinamismo da própria consciência. A doutrina de spanda permite compreender como atenção, percepção, respiração, emoção e atividade mental podem tornar-se ocasiões para reconhecer a presença da consciência absoluta, em vez de serem entendidas apenas como obstáculos a eliminar. A obra oferece assim uma perspetiva do Yoga em que a libertação não implica necessariamente retirar-se da experiência, mas reconhecer em cada movimento da consciência a mesma realidade não dual. É particularmente importante para estudar meditação, Śakti, consciência, reconhecimento, estados contemplativos e práticas do Śaivismo da Caxemira, permitindo compreender uma das bases filosóficas das formas tântricas de Yoga que mais tarde dialogariam com as tradições Trika e Pratyabhijñā.
Esta foi uma das últimas grandes traduções publicadas por Lilian Silburn, aparecendo em 1990, apenas alguns anos antes da sua morte em 1993. A edição integra uma sequência de trabalhos que Silburn dedicou durante décadas ao Śaivismo da Caxemira, depois de La Bhakti, La Mahārthamañjarī, Hymnes aux Kālī, Śivasūtra et Vimarśinī e La Kuṇḍalinī.
A obra é particularmente rica porque não oferece apenas a tradução das kārikās. Reúne também glosas de Bhaṭṭa Kallaṭa, Kṣemarāja e Utpalācārya e acrescenta o primeiro capítulo da Śivadṛṣṭi de Somānanda, permitindo estudar a doutrina de Spanda no contexto mais amplo do desenvolvimento intelectual do Śaivismo não dual.
O termo spanda tornou-se famoso como “vibração”, mas não deve ser entendido simplesmente como uma vibração física ou energética no sentido moderno. Na tradição, refere-se fundamentalmente à pulsação ou dinamismo da consciência absoluta.
A própria autoria antiga da Spandakārikā merece cautela. Embora a edição de Silburn siga a atribuição a Vasugupta, parte significativa da investigação moderna considera possível ou provável a autoria de Bhaṭṭa Kallaṭa. Por isso, a formulação “atribuída a Vasugupta” é mais segura do que afirmar simplesmente uma autoria indiscutível.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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