Título original: Guide to Yoga Meditation
Autor: Shri Yogendra
Ano da primeira edição: 1983
Editora da primeira edição: Yogendra Publications Fund / The Yoga Institute
Local da primeira edição: Santacruz, Bombay, Índia
Idioma original: Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Guide to Yoga Meditation apresenta a meditação como culminação de um processo yóguico completo e não como uma técnica isolada de relaxamento ou concentração. A obra começa por discutir o significado da meditação no Yoga e a procura do conhecimento do verdadeiro Self. Yogendra distingue o simples conhecimento intelectual da realização direta e considera a meditação um meio para essa transformação.
Segue-se uma longa secção dedicada à base ética da meditação. Para Yogendra, não é possível separar a prática meditativa de yama e niyama: estabilidade mental e progresso espiritual exigem previamente disciplina moral e redução das perturbações emocionais.
O volume inclui ilustrações de Sukhasana, Padmasana, Trāṭaka, Yoni Mudrā, um triângulo utilizado para concentração e Ākāśa Mudrā.
A obra é importante porque mostra de forma muito clara que o projeto de Shri Yogendra não consistia apenas em tornar āsana, higiene e respiração acessíveis ao público moderno. Aqui encontramos uma apresentação explícita dos níveis mais interiores do Yoga. Yogendra insiste que a meditação clássica não deve ser separada do restante caminho do Yoga. A própria nota editorial resume esta posição afirmando que não pode existir meditação sem Yoga nem Yoga sem meditação.
Isso é particularmente importante para compreender o The Yoga Institute: a modernização das práticas corporais e respiratórias não implicou necessariamente o abandono de Patañjali, samādhi ou kaivalya. Pelo contrário, saúde, āsana, respiração e disciplina mental são apresentados como preparações para objetivos contemplativos mais profundos.
O interesse de Guide to Yoga Meditation para os Estudos do Yoga é muito elevado. A obra permite observar como um dos pioneiros do Yoga moderno procurou reconciliar a linguagem moderna da psicologia, saúde e disciplina mental com a estrutura clássica do Aṣṭāṅgayoga de Patañjali. É particularmente útil porque mostra que a modernização de Yogendra não deve ser interpretada simplesmente como transformação do Yoga em exercício físico: dhāraṇā, dhyāna, samādhi, samyama e kaivalya continuam a ocupar o horizonte final da prática. O livro é também uma excelente fonte para estudar a forma como meditação e “controlo da mente” foram reinterpretados para praticantes domésticos no século XX.
A principal curiosidade está na própria composição do livro. A nota editorial explica que Guide to Yoga Meditation foi montado a partir de escritos de Yogendra produzidos desde 1916, incluindo material publicado e inédito e artigos do Journal of The Yoga Institute.
Isto significa que, embora a primeira edição só tenha aparecido em 1983, algumas das ideias presentes no volume remontam às primeiras décadas da carreira de Yogendra. Por isso, a data “1983” refere-se à publicação desta compilação, e não necessariamente à data de composição de todos os textos nela incluídos. Outra curiosidade é a organização extremamente compacta: a obra tem apenas cerca de 73 páginas, mas procura cobrir todo o percurso desde a preparação ética até samādhi e samyama.
Guide to Yoga Meditation deve ser utilizado como fonte primária do pensamento moderno de Shri Yogendra sobre meditação, mas com uma ressalva editorial importante: como resulta da compilação de textos escritos em momentos diferentes, nem todas as passagens pertencem necessariamente ao mesmo período da sua evolução intelectual.
Também é necessário distinguir a interpretação de Yogendra da reconstrução histórica contemporânea do Yoga de Patañjali. O livro utiliza categorias como “classic Yoga”, “scientific mysticism” e “Self-realization” que refletem a linguagem modernista e universalista característica do século XX.
Isso não reduz o seu valor; pelo contrário, torna-o especialmente interessante para estudar como o Yoga clássico foi reinterpretado na modernidade. O livro mostra uma tentativa deliberada de aproximar precisão científica, análise filosófica e experiência mística, expressão que Yogendra chega a descrever como uma espécie de “scientific mysticism”.
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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