The Perception of the Elements in the Hindu Traditions

The Perception of the Elements in the Hindu Traditions

Título original: La perception des éléments dans les traditions hindoues

Autor: <a class="samsara-academico-link" href="https://samsarayogaonline.com/academico/maya-burger/">Maya Burger</a> & Peter Schreiner

Ano da primeira edição: 2000

Editora da primeira edição: Peter Lang

Local da primeira edição: Berna, Suíça.

Idioma original: Inglês e francês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

The Perception of the Elements in the Hindu Traditions reúne os trabalhos apresentados num simpósio internacional realizado na Universidade de Lausana, em junho de 1998. O tema comum é a forma como os elementos constitutivos do mundo foram concebidos, classificados e representados em diferentes textos e tradições hindus. A obra foi posteriormente editada por Maya Burger e Peter Schreiner e publicada pela Peter Lang.

O livro não propõe uma única teoria hindu dos elementos. Mostra, pelo contrário, que terra, água, fogo, vento ou ar e espaço possuem significados diferentes conforme o período, o género textual e a tradição filosófica ou religiosa considerada. Os elementos podem funcionar como substâncias físicas, princípios cosmológicos, componentes do corpo, objetos dos sentidos, símbolos religiosos ou etapas de processos de emanação e dissolução.

A organização pentádica mais conhecida é constituída por pṛthivī, terra; ap ou āpas, água; agni ou tejas, fogo; vāyu, vento ou ar; e ākāśa, espaço ou éter. Estes cinco mahābhūtas, ou grandes elementos, aparecem com diferentes funções nas Upaniṣads, nas escolas filosóficas, na literatura épica, no Āyurveda, no Tantra e em textos relacionados com práticas contemplativas.

Os estudos reunidos no volume examinam a formação e a transformação destas categorias sem presumir que exista uma correspondência exata com a teoria grega dos quatro elementos ou com o conceito moderno de elemento químico. Na Índia, a teoria dos elementos encontra-se frequentemente ligada à perceção sensorial: a terra relaciona-se com o odor, a água com o sabor, o fogo com a forma e a visão, o vento com o tato e o espaço com o som.

A obra também analisa a presença literária e religiosa dos elementos. O fogo, por exemplo, não representa apenas uma substância física. Pode ser divindade védica, instrumento sacrificial, princípio digestivo, energia ascética, agente de destruição ou imagem poética. Da mesma forma, o vento pode ser entendido como fenómeno atmosférico, sopro vital e força que sustenta a vida.

Porque é importante

A importância do volume reside na sua recusa em apresentar o hinduísmo como uma tradição dotada de uma cosmologia única e imutável. As teorias dos elementos foram reformuladas em diferentes contextos históricos e adquiriram funções distintas na filosofia, no ritual, na medicina, na literatura e nas práticas religiosas.

A obra permite também distinguir categorias indianas de traduções europeias que podem ser enganadoras. Traduzir ākāśasimplesmente por “éter”, por exemplo, pode sugerir uma equivalência com conceitos da filosofia grega ou da física europeia que não se verifica em todos os contextos. De modo semelhante, vāyu pode significar vento, ar, sopro ou uma modalidade particular da atividade vital.

O caráter interdisciplinar do livro torna-o relevante para a história das religiões, a indologia, a filosofia, os estudos literários e a investigação sobre o corpo. Os elementos são analisados não apenas como ideias abstratas, mas como categorias através das quais diferentes tradições procuraram explicar a composição do mundo, o funcionamento dos sentidos, a formação do organismo e a relação entre o ser humano e o cosmos.

O volume é igualmente importante por reunir investigadores reconhecidos dos estudos indianos, entre os quais Maya Burger, Peter Schreiner, Bettina Bäumer e Wilhelm Halbfass. A obra permanece citada em estudos contemporâneos sobre filosofia indiana, Tantra, literatura épica e teorias do corpo.

Interesse para o estudo do Yoga

O interesse da obra para os Estudos do Yoga é significativo, embora o livro não seja um manual de prática yóguica. Não contém sequências de āsana nem pretende ensinar meditação ou prāṇāyāma. A sua utilidade encontra-se na investigação das categorias cosmológicas e corporais que foram incorporadas por diferentes tradições do Yoga.

As teorias dos cinco elementos aparecem em textos de Sāṃkhya, Yoga, Tantra, Āyurveda e Haṭha Yoga. Em alguns destes sistemas, os elementos constituem o corpo físico; noutros, representam níveis progressivamente mais densos da manifestação. Podem ainda ser associados aos sentidos, aos centros corporais, aos mantras, às cores, às figuras geométricas ou às práticas de concentração.

A relação entre vāyu e prāṇa é especialmente importante. Nos textos yóguicos, vāyu pode designar não apenas o vento exterior, mas também movimentos ou funções do sopro vital no organismo. As classificações de prāṇa, apāna, samāna, udāna e vyāna foram integradas em diferentes modelos do corpo subtil e em técnicas de controlo respiratório. O capítulo de Bettina Bäumer oferece um enquadramento histórico e religioso útil para compreender estas associações.

A análise de ākāśa também possui interesse yóguico. O espaço é frequentemente associado ao som e, em contextos tântricos posteriores, pode ser relacionado com mantra, vacuidade, consciência e determinados centros do corpo subtil. A contribuição de Wilhelm Halbfass ajuda a evitar que todas estas utilizações sejam indevidamente reduzidas a um único significado.

A ligação mais direta com algumas práticas tântricas encontra-se nos processos conhecidos como bhūtaśuddhi, ou purificação dos elementos. Nestes rituais, o praticante dissolve imaginativamente os elementos do corpo e reconstrói uma forma corporal divinizada. A presença de práticas deste género demonstra que as teorias dos elementos não são apenas especulações cosmológicas: podem constituir a base de exercícios rituais, meditativos e transformativos.

A obra é, portanto, relevante para uma biblioteca de Yoga académico, sobretudo nas áreas da história das ideias, do Tantra, das conceções do corpo e das relações entre Yoga e Sāṃkhya. Deve, contudo, ser apresentada como coletânea especializada sobre cosmologia e perceção nas tradições hindus, e não como introdução geral ao Yoga.

Curiosidade bibliográfica

O título é frequentemente citado no singular como The Perception of the Elements in the Hindu Tradition. A forma que aparece nos registos bibliográficos mais completos é, porém, The Perception of the Elements in the Hindu Traditions, no plural, acompanhada pelo título francês La perception des éléments dans les traditions hindoues.

O plural “tradições” é intelectualmente importante, porque corresponde ao argumento metodológico do volume: não existe uma interpretação hindu única dos elementos. Textos védicos, escolas filosóficas, literatura épica, medicina e tradições tântricas elaboraram modelos diferentes, apesar de partilharem parte do vocabulário.

O volume é por vezes atribuído apenas a Maya Burger em catálogos comerciais. A atribuição correta deve indicar “Maya Burger e Peter Schreiner, editores”. Esta distinção evita apresentar os capítulos de outros investigadores como se tivessem sido escritos pelos responsáveis científicos da coletânea.

Nota académica

A palavra “elemento” deve ser usada com cautela. Os mahābhūtas não correspondem aos elementos definidos pela química moderna, nem formam necessariamente uma teoria física no sentido contemporâneo. São categorias cosmológicas, ontológicas, sensoriais, corporais e religiosas cujo significado depende do texto e da escola em que aparecem.

Também não se deve pressupor que todas as tradições indianas reconhecem exatamente os mesmos elementos ou que os organizam pela mesma ordem. Algumas teorias distinguem elementos grosseiros e qualidades subtis, denominadas tanmātras; outras tratam ākāśa como substância permanente; outras explicam os elementos através de processos de emanação, combinação ou dissolução.

As correspondências modernas entre os cinco elementos, os cinco cakras inferiores, determinadas cores e formas geométricas têm fundamento em tradições tântricas específicas, mas não constituem um sistema universal presente em toda a história do Yoga. Estas correspondências devem ser atribuídas às fontes concretas que as ensinam, evitando projetá-las retrospetivamente sobre os Vedas, as Upaniṣads ou o Pātañjalayogaśāstra.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga