Título original: Upaniṣads
Subtítulo: Anónimos ou tradicionais
Autor: Patrick Olivelle
Ano da primeira edição: 1996
Editora da primeira edição: Oxford University Press
Local da primeira edição: Oxford e New York
Idioma original: Sânscrito/Inglês
Existe edição em língua portuguesa? Não
Upaniṣads apresenta uma tradução de doze dos principais Upaniṣads antigos, acompanhada por uma longa introdução que procura situá-los historicamente dentro da transformação da religião védica.
As doze obras traduzidas são:
Olivelle apresenta estes textos como documentos de um período de profunda transformação social, religiosa e intelectual. Neles, o ritual védico continua presente, mas começa a coexistir com novas questões sobre a natureza da pessoa, morte, renascimento, conhecimento, ação, destino e libertação. A Oxford descreve precisamente estes Upaniṣads como testemunhos da passagem do ritualismo védico para novas ideias e instituições religiosas.
A tradução procura manter-se próxima do texto sânscrito, mas é acompanhada de notas suficientes para tornar conceitos, personagens e contextos compreensíveis ao leitor não especialista.
A importância desta edição está sobretudo na combinação entre rigor filológico e acessibilidade.
Quando foi publicada, a Oxford University Press apresentou-a como a primeira grande tradução inglesa dos Upaniṣads antigos em mais de meio século e destacou o facto de incorporar investigação histórica e filológica recente.
Olivelle evita tratar os Upaniṣads como se constituíssem uma filosofia única e perfeitamente coerente. Pelo contrário, deixa visíveis diferenças entre autores, escolas, períodos e contextos.
Isto é particularmente importante para conceitos como ātman, brahman, karma, prāṇa ou libertação, cujos significados variam entre textos e não devem ser projetados retrospetivamente como doutrinas completamente estabilizadas.
O interesse de Upaniṣads para os Estudos do Yoga é muito elevado. Estas fontes documentam alguns dos contextos mais antigos em que surgem ideias que serão posteriormente incorporadas em diferentes tradições yóguicas: controlo dos sentidos, disciplina da mente, prāṇa, ascetismo, interiorização ritual, karma, renascimento, ātman, conhecimento libertador e mokṣa. O Kaṭha Upaniṣad é especialmente relevante por associar explicitamente Yoga ao domínio dos sentidos e da mente, enquanto o Śvetāśvatara contém descrições de práticas corporais, controlo respiratório e meditação que são particularmente importantes para a história inicial das técnicas yóguicas. Bṛhadāraṇyaka e Chāndogya, por sua vez, ajudam a compreender os debates sobre pessoa, consciência, morte e libertação que antecedem a sistematização do Yoga clássico. Para os Estudos do Yoga, esta edição é especialmente útil porque oferece acesso fiável às fontes primárias sem as interpretar automaticamente através de Patañjali ou do Vedānta posterior.
Upaniṣads é uma das traduções modernas de referência para o estudo dos Upaniṣads antigos. A principal qualidade da edição está em combinar precisão filológica, contextualização histórica e uma tradução suficientemente clara para leitores que não dominam sânscrito. Olivelle lê estes textos como produtos históricos e não como simples exposições intemporais de uma “filosofia hindu” homogénea. Esta abordagem ajuda a distinguir diferentes fases na formação de conceitos religiosos indianos e evita harmonizações posteriores, sobretudo as influenciadas por determinadas escolas do Vedānta. Para trabalho filológico avançado, contudo, a edição deve ser complementada por The Early Upaniṣads: Annotated Text and Translation, de 1998, onde o autor apresenta o texto sânscrito, variantes e aparato crítico.
Inglês
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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