Tipo de obra: Documentário
Título original: History of Yoga: The Path of My Ancestors
Realização: Deepika Kothari e Ramji Om
Ano: 2013
País de produção: Índia
Duração: 95 min
Língua original: Inglês e hindi
Legendas disponíveis: Português, inglês, espanhol, francês, alemão, chinês e hebraico
History of Yoga: The Path of My Ancestors propõe uma viagem pela história e pelas tradições filosóficas associadas ao Yoga no subcontinente indiano. Partindo dos Yoga Sūtra de Patañjali, o documentário procura identificar antecedentes e transformações do Yoga através de vestígios arqueológicos, textos religiosos, manuscritos, esculturas, templos e práticas ainda preservadas em diferentes comunidades.
O filme percorre temas relacionados com a civilização do Indo, os Vedas, os Upaniṣad, o Jainismo, o Budismo, o Sāṃkhya, o Tantra, as tradições Nātha e o Haṭha Yoga medieval. Examina igualmente a presença de técnicas contemplativas em movimentos devocionais e sufis, terminando no século XIX, quando o Yoga começou a ser reformulado e apresentado através de linguagens modernas, científicas e internacionais.
A narrativa é acompanhada por imagens de sítios arqueológicos, museus, bibliotecas, templos, iconografia e manuscritos recolhidos ao longo de vários anos de investigação e filmagem na Índia, no Nepal, na Europa e na América do Norte.
O documentário resultou de cerca de seis anos de pesquisa e filmagem. A equipa afirma ter percorrido aproximadamente 35 000 quilómetros, registando materiais em mais de uma centena de locais, incluindo 84 sítios arqueológicos e dezenas de museus, bibliotecas, templos e santuários. Participam também investigadores de áreas como arqueologia, história, filosofia, medicina, literatura e Estudos do Yoga.
Contudo, a obra deve ser acompanhada por uma nota crítica. Os realizadores apresentam o documentário como a história de uma tradição com cerca de seis mil anos, relacionando diretamente certos objetos da civilização do Indo com o Yoga posterior. Esta interpretação não constitui consenso académico. A identificação do chamado “selo de Paśupati” como representação inequívoca de Śiva ou de um praticante de Yoga permanece debatida, e não é possível demonstrar uma linha de transmissão contínua entre a civilização do Indo e os sistemas de Yoga documentados em textos muito posteriores.
Também são controversas algumas relações propostas entre iconografia, chakras, estruturas sociais harappanas e formas históricas específicas de Yoga. Em vários momentos, o filme transforma hipóteses interpretativas em afirmações mais seguras do que as fontes permitem.
A perspetiva da obra é explicitamente civilizacional e procura defender a origem indiana do Yoga contra aquilo que os realizadores descrevem como apropriação, distorção ou separação da cultura indiana. A página oficial afirma que o documentário pretende proteger o Yoga da exploração, da patenteação e da desvinculação das suas origens.
Por essa razão, o filme é valioso como apresentação visual de uma interpretação indiana contemporânea da história do Yoga, mas não deve ser tratado como uma síntese historiográfica neutra ou definitiva. Recomenda-se o seu confronto com investigação académica especializada sobre a arqueologia do Indo, os primeiros textos de Yoga, o Tantra, o Haṭha Yoga e o Yoga moderno.
Disponível em: Streaming · DVD · Cinema · Arquivo digital
Plataformas de streaming: Vishuddhi Foundation . Youtube
Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga
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