The Power of Ashtanga Yoga

The Power of Ashtanga Yoga

Título original: The Power of Ashtanga Yoga

Subtítulo: Developing a Practice That Will Bring You Strength, Flexibility, and Inner Peace—Includes the Complete Primary Series

Autor: Kino MacGregor

Ano da primeira edição: 2013

Editora da primeira edição: Shambhala Publications

Local da primeira edição: Shambhala Publications

Idioma original: Inglês

Existe edição em língua portuguesa? Não

Resumo

The Power of Ashtanga Yoga é um manual introdutório dedicado ao Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga tal como foi ensinado por K. Pattabhi Jois e posteriormente difundido internacionalmente pelos seus discípulos. Kino MacGregor apresenta os fundamentos desta modalidade, a relação entre respiração e movimento, o método de contagem das respirações, os pontos de concentração do olhar, os chamados bloqueios energéticos e a sequência de posturas que compõe a Primeira Série.

A parte central do livro é dedicada à execução progressiva da sequência tradicionalmente conhecida como Yoga Cikitsā, expressão que pode ser traduzida como “terapia do Yoga”. A autora descreve as saudações ao Sol, as posturas em pé, as posturas sentadas, as transições e a sequência final. As explicações são acompanhadas por fotografias e indicações relativas ao alinhamento, à respiração, ao modo de entrar e sair de cada postura e a algumas adaptações destinadas a praticantes que ainda não conseguem executar a forma completa.

Para além das instruções físicas, MacGregor procura situar a prática dentro de um percurso espiritual. O livro aborda os oito membros do Yoga apresentados no Pātañjalayogaśāstra, habitualmente referido como Yoga Sūtra de Patañjali, e relaciona disciplina corporal, concentração, respiração e transformação interior. A interpretação é predominantemente prática e devocional, não constituindo um estudo filológico ou histórico do texto de Patañjali.

Embora o volume contenha a sequência completa da Primeira Série, não deve ser confundido com The Power of Ashtanga Yoga II: The Intermediate Series, publicado em 2015. Este segundo livro é uma continuação independente dedicada à Série Intermédia e não uma edição revista do primeiro volume.

Porque é importante

A obra tornou-se um dos manuais contemporâneos mais conhecidos sobre a Primeira Série do Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga. A sua importância resulta sobretudo da clareza visual das demonstrações e da tentativa de tornar acessível uma prática normalmente transmitida através da presença regular numa escola ou junto de um professor autorizado.

Kino MacGregor pertence à geração de professores que contribuiu para a expansão internacional do método durante o final do século XX e o início do século XXI. A autora começou a praticar Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga no final da década de 1990 e estudou durante vários períodos em Mysore, na Índia, com Pattabhi Jois e Sharath Jois. Foi posteriormente autorizada a ensinar dentro da estrutura institucional associada a esta linhagem.

O livro também é representativo de uma fase particular da história do Yoga moderno, na qual métodos desenvolvidos ou sistematizados na Índia durante o século XX foram transformados em práticas transnacionais, divulgadas através de escolas, viagens internacionais, livros, vídeos e, mais tarde, plataformas digitais.

Interesse para o estudo do Yoga

O principal interesse da obra encontra-se no estudo prático do Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga contemporâneo. O livro permite observar a organização da Primeira Série, a importância atribuída ao vinyāsa, a coordenação entre respiração e movimento e o uso de conceitos como dṛṣṭi e bandha. Neste contexto, dṛṣṭi designa o ponto para o qual o olhar é dirigido durante a postura, enquanto bandha é empregado para descrever determinadas ações musculares e respiratórias interpretadas também em termos energéticos.

A obra é igualmente útil como documento sobre a transmissão moderna do método de Pattabhi Jois. Mostra como uma prática inicialmente ensinada através da repetição presencial e da memorização foi adaptada ao formato de um manual ilustrado destinado a leitores internacionais.

Contudo, o livro deve ser utilizado com prudência como fonte histórica. A narrativa interna da linhagem tende a apresentar o método como continuidade de uma tradição antiga, mas a investigação académica sobre o Yoga moderno demonstra que a forma atual do Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga foi substancialmente sistematizada no século XX. O método desenvolveu-se no contexto do ensino de T. Krishnamacharya no Palácio de Mysore e da posterior atividade pedagógica de Pattabhi Jois.

Também não existe documentação independente que permita confirmar a narrativa segundo a qual a sequência teria sido preservada num antigo texto denominado Yoga Korunta. A existência, autoria, data e conteúdo desse suposto manuscrito permanecem por demonstrar. Por essa razão, referências ao Yoga Korunta devem ser apresentadas como parte da tradição oral da escola e não como facto histórico confirmado.

Curiosidade bibliográfica

O subtítulo esclarece que o livro inclui a Primeira Série completa. Esta informação é importante porque o título principal, considerado isoladamente, poderia sugerir uma apresentação geral de todo o sistema. Na realidade, o volume concentra-se na série inicial, enquanto a Série Intermédia é tratada no livro posterior The Power of Ashtanga Yoga II.

A expressão Yoga Cikitsā, usada para designar a Primeira Série, combina yoga com cikitsā, palavra sânscrita relacionada com tratamento ou terapia. No contexto do Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga, a expressão refere-se à função purificadora e terapêutica tradicionalmente atribuída à série. Contudo, essa designação não equivale a uma validação clínica das posturas nem transforma o método numa terapia médica cientificamente comprovada.

Nota académica

É necessário distinguir o Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga ensinado por Pattabhi Jois do aṣṭāṅgayoga descrito no Pātañjalayogaśāstra. No texto atribuído a Patañjali, aṣṭāṅga significa “oito membros” e designa um sistema composto por yama, niyama, āsana, prāṇāyāma, pratyāhāra, dhāraṇā, dhyāna e samādhi. O método moderno conhecido como Aṣṭāṅga Vinyāsa Yoga adotou esta designação, mas organiza a prática corporal através de séries fixas de posturas e transições que não se encontram descritas no texto de Patañjali.

O livro transmite a perspetiva de uma praticante e professora inserida na linhagem de Pattabhi Jois. Não procura analisar criticamente a construção histórica do método nem as relações de autoridade existentes dentro da escola. Para uma compreensão académica mais completa, deve ser lido em conjunto com estudos históricos sobre Krishnamacharya, o Palácio de Mysore e o desenvolvimento transnacional do Yoga postural moderno.

Uma ficha contemporânea deve também reconhecer que, após a morte de Pattabhi Jois, várias antigas alunas apresentaram testemunhos públicos de contactos físicos abusivos e sexualmente inadequados ocorridos durante os ajustamentos. Estas denúncias modificaram profundamente a avaliação crítica do seu legado e suscitaram debates sobre consentimento, autoridade e responsabilidade nas comunidades de Yoga. Esta questão não invalida automaticamente todas as técnicas descritas por MacGregor, mas impede uma apresentação exclusivamente celebratória ou hagiográfica da linhagem.

O manual pressupõe ainda um grau considerável de capacidade física. Algumas posturas e transições podem não ser apropriadas para todos os praticantes, sobretudo quando executadas sem acompanhamento individual. As modificações apresentadas ajudam a tornar a sequência mais acessível, mas não substituem uma avaliação clínica quando existem lesões, dor persistente ou condições médicas relevantes.

Disponibilidade

Edições disponíveis

Inglês — idioma original

Saṃsāra – Centro de Estudos de Yoga