Instrutora de Yoga loira acompanha e corrige alunos durante uma aula coletiva
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Instrutor de Yoga ou PT de Yoga?

Quando acompanhar os alunos parece um serviço extra

Há pouco tempo, informei uma turma de que tinha decidido deixar de dar aulas de Haṭha Yoga numa determinada sala. A razão era simples: o espaço raramente se encontrava suficientemente limpo para a prática.

Não esperava uma sala purificada com incenso antes do nascer do sol, nem um chão benzido por monges dos Himalaias. Pedia apenas o mínimo: condições de higiene que permitissem colocar um tapete no chão sem levar para casa uma amostra arqueológica das atividades da semana.

Apesar de algumas pessoas ligadas à direção frequentarem as minhas aulas, nunca houve melhorias consistentes. Decidi, por isso, não continuar.

Uma aluna não recebeu bem a notícia. O local ficava perto de casa, tinha estacionamento e era conveniente. Compreendo perfeitamente: quando encontramos um horário e um estacionamento alinhados, ninguém quer perturbar essa rara conjugação planetária.

Disse então que, se soubesse, teria ido para um ginásio, onde pagaria muito menos. Reconheceu, contudo, que as aulas não seriam iguais, porque eu era «como uma PT de Yoga».

Uma PT de Yoga?

Mas isto não deveria ser simplesmente ensinar?

Presumo que a aluna quisesse dizer que, nas minhas aulas, observo os praticantes, explico os movimentos, apresento alternativas e verifico se compreenderam a relação entre a postura e a respiração.

Mas isso não deveria ser um serviço premium. Deveria fazer parte de ensinar Yoga.

Uma turma não é composta por quinze versões do mesmo corpo. Numa sala podemos encontrar pessoas com idades, proporções, limitações e experiências muito diferentes. Há quem tenha rigidez cervical, dores lombares, joelhos frágeis, ansiedade ou simplesmente receio de cair.

Dar exatamente a mesma indicação a todos e esperar a mesma forma exterior não é rigor pedagógico. É comodidade.

Corrigir também não significa obrigar todos os corpos a reproduzir a fotografia do manual. Significa ajudar cada pessoa a encontrar uma forma estável, consciente e adequada de praticar naquele momento.

Duas pessoas podem executar posturas visualmente semelhantes e estar a viver experiências completamente diferentes. Uma respira com estabilidade; a outra contrai o rosto, bloqueia os joelhos e espera desesperadamente que o professor diga:

— Devagarinho, desfazer!

Uma postura não se torna melhor apenas porque ficou mais bonita na fotografia.

Yoga não é uma aula de «sigam-me os bons»

Quando o professor permanece durante toda a aula no seu próprio tapete, ocupado a executar a sequência, deixa de ver grande parte do que acontece na sala.

Se não observa, dificilmente consegue adaptar, esclarecer ou perceber que metade da turma ainda está a inspirar enquanto ele já realizou três movimentos e iniciou uma pequena viagem espiritual até ao lado oposto do tapete.

Coordenar movimento e respiração não é automático. Precisa de ser ensinado, experimentado e repetido.

Caso contrário, temos uma sala cheia de macaquinhos de imitação a copiar braços e pernas sem compreender inteiramente o que estão a fazer.

O problema não está nos alunos. Eles limitam-se a fazer aquilo que lhes foi pedido: imitar. O problema está num modelo de aula que lhes dá poucas oportunidades para aprender.

Ensinar Yoga não é realizar uma exibição privada com público pagante.

E sim, a sala deve estar limpa

A higiene do espaço não é um capricho da professora.

Praticamos perto do chão. Sentamo-nos, ajoelhamo-nos, apoiamos as mãos e aproximamos o rosto do tapete. Respiramos profundamente. Pedir um chão limpo e uma sala minimamente cuidada não é perfeccionismo: é bom senso.

Curiosamente, o próprio Haṭha Yoga Pradīpikā atribui importância ao local e à limpeza do espaço de prática. Não precisamos, evidentemente, de reproduzir uma construção ascética medieval nem de seguir literalmente os métodos de limpeza então recomendados.

Mas, se um texto de Haṭha Yoga com vários séculos já se preocupava com o espaço, talvez pedir higiene no século XXI não seja uma extravagância ocidental.

O problema começa nas formações

A expressão «PT de Yoga» levou-me a perguntar: acompanho demasiado os meus alunos ou habituámo-nos a esperar acompanhamento insuficiente?

Não afirmo que todas as aulas em Portugal sejam assim. Existem excelentes professores em estúdios, associações e ginásios. O espaço, por si só, não determina a qualidade do ensino.

Ainda assim, em muitas formações aprende-se bastante sobre executar e encadear posturas, mas nem sempre se dá a mesma atenção a ensinar pessoas reais.

Saber fazer uma sequência não é o mesmo que saber ensiná-la.

É necessário aprender a observar uma turma, comunicar com clareza, gerir ritmos diferentes, apresentar alternativas, reconhecer sinais de desconforto e respeitar os limites da profissão. Um professor de Yoga não é médico nem fisioterapeuta: não diagnostica lesões e não promete curas. Mas também não pode ignorar o corpo concreto que está à sua frente.

A palavra «energia» não substitui conhecimentos básicos de anatomia. E mandar alguém «escutar o corpo» nem sempre é suficiente. Há pessoas que passaram anos a ignorar a dor e a ultrapassar limites. Dizer-lhes apenas para seguirem a intuição pode ser tão útil como dizer a alguém perdido:

— Vá andando. O caminho há de aparecer.

Afinal, sou uma PT de Yoga?

Não.

Mas compreendo o elogio. Aquela aluna reconhecia que recebia atenção, explicações, adaptações e correções.

O que me inquieta é isso ser entendido como algo excecional.

Não existe uma única maneira universal de ensinar Yoga, mas há princípios que deveriam ser difíceis de dispensar: condições dignas de prática, instruções claras, atenção aos alunos, respeito pela diversidade corporal e capacidade de adaptar quando necessário.

Se tudo isto faz de mim uma «PT de Yoga», talvez o problema não esteja no nome.

Talvez esteja no facto de termos normalizado aulas em que o professor executa, os alunos copiam e todos esperam que o joelho saiba sozinho o que fazer.

Eu continuo a preferir ensinar.

Mesmo que isso implique repetir uma explicação, modificar uma postura e abandonar uma sala que não oferece condições adequadas.

Porque a conveniência é importante. O estacionamento também.

Mas, afinal de contas, é Yoga.

E os alunos não são macaquinhos de estimação.

Vic

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